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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Colaboração x Cooperação

No mundo da informação do conhecimento, temos uma grande variedade de conceitos disponíveis nos mais variados lugares. Muitas vezes esses conceitos geram confusões, principalmente quando nos deparamos com termos parecidos. Assim, gostaria de apresentar a diferença entre aprendizagem colaborativa e cooperativa, tão difundidos e também confundidos no contexto da Educação a Distância (EaD).

O primeiro conceito refere-se à aprendizagem colaborativa, que está atrelada as interações realizadas por um grupo no intuito de alcançar um determinado objetivo. Esse conceito está muito presente nos cursos oferecidos na modalidade à distância, onde a troca de informações e interações ocorre de maneira síncrona e assíncrona. É importante reforçar que dependendo da metodologia e estrutura do curso, essa aprendizagem colaborativa pode ocorrer ou não, ficando a critério da instituição a definição do modelo e/ou proposta a ser adotada.

O segundo conceito está relacionado a aprendizagem cooperativa, que é mais complexa do que a aprendizagem colaborativa, pois pressupõe uma parceria entre os alunos, podemos dizer que é um trabalho em equipe, diferentemente do trabalho em grupo, além do envolvimento do mediador do processo de aprendizagem, cujo objetivo é a troca de informações, experiências e conhecimentos de maneira cooperativa, respeitando as individualidades existentes.

Com base nesses dois conceitos, chego a seguinte reflexão, como colocar em prática a aprendizagem colaborativa e cooperativa? É possível? Em relação a primeira maneira de aprendizagem, colaborativa, é possível sim, pois temos bons exemplos de sua aplicabilidade. Já a aprendizagem cooperativa fica aqui minha indagação, como cooperar por meio dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem, por exemplo? Sabemos que a cooperação é algo que exige maior envolvimento entre os alunos e mediador, onde as relações e trocas são constantes e de forma espontânea.

No meu ponto de vista é possível sim aplicar ambas as aprendizagens, desde que se tenha uma estrutura e proposta pedagógica adequada, além de um ambiente virtual que possibilite interações de maneira cooperativa e professor-tutor ciente da sua responsabilidade e participação a fim de atingir os objetivos propostos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Gerações de EaD

Hoje no Brasil é muito comum nas instituições que oferecem cursos na modalidade à distância utilizarem características de duas ou mais gerações de EaD. Essa predominância está atrelada, no meu ponto de vista, as necessidades exigidas pelo público alvo, que está cada vez mais exigente e participativo no processo de comercialização e elaboração das propostas ofertadas por essas instituições. Assim, as instituições se sentem obrigadas a manter as características de certas gerações, a fim de não perder seus alunos (clientes), pois o caráter de customização está cada vez mais presente nesta modalidade de ensino.

Gostaria de compartilhar neste post um exemplo aplicado numa instituição que oferece cursos de pós-graduação à distância. Neste exemplo, a instituição utiliza as características de no mínimo quatro gerações, conforme explicitado a seguir:
  • 2ª geração: todos os nossos cursos de pós-graduação oferecem aos alunos material impresso no formato de livro texto. Apesar da utilização das ferramentas de comunicação online, os alunos de pós-graduação ainda sentem a necessidade do papel para fazer anotações, grifar as partes principais, bem como utilizá-los em momentos em que não há acesso a internet, pois grande parte desses alunos está em constantes viagens.
  • 3ª geração: utilização de videoconferência para as defesas de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), ou até mesmo para reuniões com a coordenação do curso.
  • 4ª geração: acesso ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) do curso, com todas as suas funcionalidades e ferramentas de comunicação e interação.
  • 5ª geração: utilização de recursos interativos ao longo do curso, que ultrapassam as funcionalidades do AVA, como por exemplo, comunicação via SMS.
A partir desse exemplo, é possível comprovar a coexistência das diversas gerações sendo empregadas nos cursos oferecidos na modalidade a distância. Essa necessidade na grande maioria das vezes está relacionada ao atendimento das expectativas e desejos dos alunos, que optam por propostas de cursos que estejam adequadas as sua realidade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ferramentas lúdicas na EaD: uma nova proposta em videoconferência

O objetivo desta postagem é disseminar um caso prático de utilização da ferramenta de videoconferência durante a execução do Programa de Capacitação em Educação a Distância (PCEaD), oferecido pelo SENAI/SC em Florianópolis. O público alvo deste curso é formado por colaboradores do SENAI, em sua maioria professores, dispersos por todo o Brasil. A videoconferência foi inserida neste processo para realização do fechamento do programa, sendo possível atender todos os alunos espalhados geograficamente, de forma a aproveitar suas funcionalidades e promover um momento de integração e interação entre os alunos do programa.

Após a realização das etapas a distância do PCEaD, que possui 4 módulos de estudos (módulo fundamentos da EaD, conteudistas, tutoria e monitoria), todos os alunos com bom aproveitamento participam da etapa por videoconferência. Essa etapa é realizada num único dia com duração total de 8 horas. Por se tratar de um encontro de 8 horas, foi necessário o desenvolvimento de algumas estratégias de ensino que promovessem uma maior dinamicidade e envolvimento dos alunos no processo de aprendizagem, pois a ferramenta de videoconferência apresenta algumas limitações no que diz respeito à interatividade e até mesmo o cansaço físico e mental provocado aos alunos. Além disso, existem outras limitações referentes às tecnologias envolvidas para a realização da videoconferência, como quantidades e disposição das câmeras, transmissão de áudio, estrutura do ponto de videoconferência, entre outras.

Para suprir essa necessidade de ausência de interação e envolvimento dos alunos durante a utilização da videoconferência, bem como a proposta de um fechamento de 8 horas, foi inserido neste momento a metodologia lúdica com o intuito de instigar e provocar os alunos a interagirem de maneira mais participativa e natural. Nesse sentido, buscou-se trabalhar com dois personagens, que foram interpretados pelos professores-tutores que mediaram o encontro, criados especificamente para essa ocasião, estando inseridos dentro do contexto do conteúdo abordado.

Os personagens estavam inseridos no cenário de um “Programa de Culinária” transmitido ao vivo pela Rede EaD de comunicação, sendo que o mesmo foi construído no ponto transmissor da videoconferência, localizado no SENAI/SC em Florianópolis. O personagem principal foi a Chefe Rosalí, que contou com a ajuda do seu assistente Dieguí, ambos conduziram as atividades propostas neste contexto culinário.
A partir desse cenário, os personagens entraram em cena fazendo a abertura do Programa de Culinária, sendo que os alunos desconheciam essa proposta, pois o objetivo principal desta estratégia foi causar impacto aos alunos e provocar a curiosidade do desenvolvimento da atividade. Vale ressaltar, que no início do encontro os alunos foram informados que no decorrer do dia seriam utilizados alguns momentos lúdicos para tornar o aprendizado mais dinâmico e prazeroso.

Após essa abertura, os alunos foram convidados a participar do Programa de Culinária como se fossem telespectadores, colaborando suas receitas. Mas para direcionar o formato dessas receitas, os personagens lançaram um desafio aos seus telespectadores (alunos), que foi construir uma “receita para fazer EaD”. Neste momento buscou-se explanar que para fazer EaD não temos uma receita pronta/formatada, cada instituição deve adotar suas estratégias de acordo com as necessidades e ensejos do seu público alvo, sempre embasado nos padrões de qualidade exigidos pelo mercado ou até mesmo pelo MEC, para os casos de cursos regulares.

Com o desafio intitulado, foi estabelecido um tempo para os alunos desenvolverem a receita, enquanto isso, o programa entrou nos comerciais. Terminado esse período, o programa voltou ao ar e fez conexões com todos os pontos para verificar os resultados das receitas desenvolvidas pelos alunos.

Como houve uma interação muito intensa entre os alunos e os personagens durante a realização do programa, os resultados superaram as expectativas criadas pela equipe que organizou este momento, pois os alunos entraram no “clima” da metodologia lúdica, criando personagens para apresentar suas receitas de como fazer EaD. Por meio das apresentações das receitas, identificou-se o envolvimento dos alunos com a estratégia de ensino adotada, rompendo algumas barreiras e limitações intrínsecas as funcionalidades da videoconferência, servindo de elemento positivo para a inserção do lúdico no processo de aprendizagem mediado por tecnologias.

Para finalizar, vale destacar que ao final do encontro os alunos se posicionaram em relação ao trabalho desenvolvido pelos mediadores, buscando conhecer com maior propriedade as opiniões acerca da proposta lúdica implementada. A partir desses comentários, todos com caráter positivo e satisfação com o momento vivenciado, busca-se aplicar nos cursos à distância oferecidos no SENAI/SC em Florianópolis que utilizam a videoconferência como recurso de mediação, a metodologia lúdica para tornar o processo de aprendizagem mais dinâmica, interativo e participativo, indo ao encontro do que os autores mencionam sobre as características dessa ferramenta.