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terça-feira, 4 de junho de 2013

APLICAÇÃO DE TÉCNICAS VIVENCIAIS EM AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM (AVA): DRÁCULA SAIU DO TÚMULO

A aplicação da técnica “Drácula saiu do túmulo”, técnica vivencial que favorece o processo de ensino aprendizagem teve como princípio norteador o desenvolvimento das características e o comportamento do empreendedor, face às constantes mudanças e volatilidade enfrentada nos ambientes organizacionais e no mercado global. Assim, a técnica buscou avaliar os aspectos de liderança e negociação, o raciocínio lógico-matemático, habilidade para solucionar problemas, comunicação e visão, características essas essenciais para a formação do perfil do empreendedor. Além disso, a técnica oportunizou a integração e ativação do grupo, que puderam “quebrar o gelo”, normalmente presente em cursos na modalidade a distância, onde a grande maioria dos alunos não se conhece.
Para que os resultados esperados com a aplicação da técnica pudessem ser obtidos com êxito, se fez necessário um alinhamento com o objetivo da disciplina Comportamento Empreendedor, que é “compreender os principais aspectos referentes ao comportamento do em­preendedor, sua importância no cenário socioeconômico e o ciclo de vida das organizações” (CAMILOTTI, 2009, p. 5). A partir dessa integração, foi possível aplicar a técnica, a fim de simular o comportamento do empreendedor, permitindo aos alunos uma vivência com as principais características e o perfil do empreendedor.  
 Segundo Bueno e Lapolli (2001), os empreendedores possuem cinco características essenciais, que devem ser trabalhadas para estarem sempre presentes nos indivíduos que buscam um diferencial: velocidade, polivalência, visão, capacidade de realização e entender de gente. Essas características citadas foram inseridas no contexto da técnica do Drácula aplicada aos alunos do MBA em Consultoria Empresarial, pois são consideradas fundamentais para a formação do comportamento empreendedor. Por outro lado, Lezana e Tonelli (1998), apresentam quatro características determinantes para a formação do comportamento empreendedor: necessidades, valores, habilidades e conhecimentos que complementa as características trazidas por Bueno e Lapolli (2001).
A técnica vivencial aplicada aos alunos do MBA em Consultoria Empresarial a distância foi realizada por intermédio do AVA. Os alunos foram divididos em dois grupos, sendo que cada grupo elegeu um negociador e um observador. Todo o processo de comunicação entre negociadores e os integrantes do grupo ocorreu por meio de ferramentas síncronas e assíncronas disponíveis no AVA. O quadro a seguir mostra a relação das características do empreendedor segundo Bueno e Lapolli (2001) com a praticada e assimilada durante a realização da técnica pelos alunos do curso.

CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR
Bueno e Lapolli (2001)
Técnica Drácula
- Velocidade: raciocínio rápido e capacidade de expressar as idéias.
- Velocidade: raciocínio lógico-matemático, conseguir apresentar a solução do problema com maior rapidez.
- Polivalência: fácil adaptação a grupos e novos ambientes.
- Polivalência: conseguir trabalhar com pessoas desconhecidas e de diversas áreas de atuação/conhecimento. Utilização da tecnologia para gerenciar o processo de comunicação entre os membros do grupo.
- Visão: capacidade de imaginar o futuro.
- Visão: capacidade de compreensão, análise, avaliação e ação sobre um desafio/situação proposta, buscando sempre visualizar o futuro.
- Capacidade de realização: capacidade de realizar o que foi planejado.
- Capacidade de realização: realizar o que foi planejado para a conclusão da tarefa.
- Entender de gente: habilidade de lidar com pessoas, de se relacionar dentro e fora da organização.
- Entender de gente: pode ser considerada a principal característica do empreendedor, ter habilidade para se relacionar com as pessoas do grupo, buscando extrair o conhecimento de cada membro a fim de encontrar a solução do problema.
                   
Essa relação estabelecida entre as características difundidas pelos autores Bueno e Lapolli (2001) com as características apresentadas durante a aplicação da técnica vivencial foram aceitas e compreendidas pelos alunos do curso, indo ao encontro do objetivo da atividade e da disciplina, além de proporcionar o desenvolvimento do comportamento empreendedor.
De acordo com Dolabela (1999), as características e o comportamento do empreendedor podem ser adquiridos e desenvolvi­dos e, apesar de ainda não ser possível garantir sucesso às pessoas que as tenham, pode-se dizer que aqueles que as possuem poderão ter mais chances de serem bem-sucedidos. Ainda segundo o autor, alto nível de energia e forte comprometimento são algumas das qualidades comuns nos empreendedores. Porém, salienta que assim como são diferentes os estilos pessoais, também são diferentes os perfis dos empreendedores.
   Compreender o perfil e comportamento do indivíduo empreendedor e sua relação com a organização que construiu é de suma importância para aqueles que buscam trabalhar com essas pessoas (CAMILOTTI, 2009). Por isso, a necessidade de vivenciar essa realidade por meio da aplicação de uma atividade simulada, tornando o aprendizado dos alunos mais eficaz e ao mesmo tempo interativo e estimulante, aliado ao uso da tecnologia e suas ferramentas colaborativas.
As ferramentas colaborativas utilizadas na educação a distância são fundamentais para a inserção das práticas vivenciais, pois possibilitam uma aprendizagem colaborativa, na qual alunos ajudam-se no processo de aprendizagem, atuando como parceiros entre si e com o professor-tutor, com o intuito de adquirir conhecimento sobre um dado objeto (CAMPOS et al., 2003).
Nesse sentido, a proposta pedagógica do curso MBA em Consultoria Empresarial visa proporcionar um aprendizado flexível, basicamente realizado a distância, por intermédio do AVA. Sua estrutura baseia-se no incentivo ao aprendizado interativo, cooperativo/colaborativo e na auto-aprendizagem, proporcionando uma aprendizagem significativa (VIEIRA et al., 2009). Esse processo de aprendizagem consente a aplicação de técnicas vivenciais, permitindo a compreensão dos conceitos teóricos abordados, sua aplicação à realidade, bem como organizar e relacionar o novo com o antigo conhecimento.
Por fim, vale ressaltar, a importância da aplicação de técnicas vivenciais em cursos de pós-graduação a distância, por meio da utilização de ferramentas colaborativas e de uma proposta pedagógica que vá ao encontro das necessidades e ensejos de um aprendizado significativo, interativo e colaborativo, buscando simular a realidade vivenciada pelos indivíduos e organizações. Na técnica apresentada neste trabalho, foi possível compreender sua importância para o atendimento do objetivo da disciplina, que era desenvolver o comportamento empreendedor dos alunos do curso. Assim, entende-se que a aplicação de técnicas vivenciais aliadas a utilização da tecnologia torna-se uma estratégica pedagógica fundamental para os cursos na modalidade a distância, pois além de proporcionar uma integração e aquecimento do grupo, é possível viver uma realidade não muito distante.

REFERÊNCIAS

BUENO, J. L. P.; LAPOLLI, É. M..
Vivências Empreendedoras: empreendedorismo tecnológico na educação. Florianópolis: UFSC - FAPEU, 2001.
CAMILOTTI, Luciane.
Comportamento empreendedor. Florianópolis: SENAI/SC Florianópolis, 2009.
CAMPOS, F. C. A.
et al. Cooperação e aprendizagem online. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
DOLABELA, F.
Oficina do empreendedor: a metodologia de ensino que ajuda a trans­formar conhecimento em riqueza. São Paulo: Cultura, 1999.
LEZANA, A. G. R., TONELLI, A. O comportamento do empreendedor. In: De MORI, F. (org.).
Empreender: identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Flo­rianópolis: Escola de Novos Empreendedores, 1998.
VIEIRA, D. C.
et al. Guia do professor-tutor. Florianópolis: SENAI/SC DR, 2009.